A1, auto-estrada do Norte Porto/Lisboa,
O temporal alastrava-se por todo o país e lá fora havia pessoas que já tinham tomado precauções, não fosse acontecer a mesma tragédia que assolou a Madeira acerca de uma semana atrás. Mas André dos Reis, que examinava o temporal da janela, julgou-se capaz de o enfrentar em vez de aquela gota que caía do ar condicionado. Enquanto os risos agora acalmavam, imaginou se seria muito ridículo abrir um guarda-chuva por cima da sua cabeça e não quis fazer a experiência. Não viu o mesmo inconveniente, puxou de novo a cortina e estendeu-a para a muleta, sem sucesso e um risinho soltou-se. O Iphone tocava, André dos Reis atendeu mas depressa deixou-o cair quando uma gota fulminante o tinha acertado em cheio no remoinho do cabelo e cobria a cabeça como se fosse alvo de um ataque aéreo ameaçador e indefeso. As raparigas soltaram risos atrás de risos e o executivo, indignado, reprovou-as com o olhar. Tinha sido a “gota de água”.
Santiago,
“Pensei que tinha rebentado um pneu... Mas depois vi que a auto-estrada se mexia como uma folha de papel e percebi que era muito pior”, disse um homem citado pela Reuters.
Na sequência deste forte abalo sísmico, um dos maiores de sempre, equiparável ao que em 1755 destruiu a Baixa lisboeta, desencadeou-se um tsunami que colocou em estado de alerta a Polinésia Francesa, o Havai e outras regiões da área do Pacífico.
A1, auto-estrada do Norte Porto/Lisboa,
A viagem prolongava-se, ao fim de duas horas, com outras gotas provenientes do ar condicionado e com mais risos vindos do banco detrás de André dos Reis. Sentia-se agredido e desonrado. Desejou que as meninas impertinentes tivessem conhecimento do homem do seu currículo, mas provavelmente as miseráveis nem iriam entender o respeito e a consideração que se deve ter por alguém do seu estatuto.
Um passageiro, vindo lá do fundo, deslocava-se do seu banco até ao motorista. André dos Reis interessou-se pelo diálogo quando ouviu a queixa do civil a propósito do ar condicionado e sentiu o seu orgulho restituído, afinal não era caso único e não se conteve em olhar para trás e sorrir em paz consigo próprio. Mais outro passageiro atravessava o corredor e sentou-se nas escadas do autocarro com um jornal para assentar por debaixo. Mais uma gota estatelou-se e André dos Reis afastou-a com a mão suavemente da sua pasta.
Santiago,
A 1 de Março, já estavam confirmados 711 mortos na sequência do sismo. A cidade esteve a saque depois do sismo e mais militares entraram no terreno para impor a ordem.
A 4 de Março, um sismo com magnitude 6,1 na escala de Richter abalou a capital do Chile, quatro dias após o sismo com magnitude 8,8, que provocou a morte de mais de 800 pessoas, anunciou o Instituto de geofísica norte-americano (USGS).
O Chile já foi abalado por cerca de 150 fortes réplicas desde sábado.
A juntar a este sismo, ocorreu na ilha de Okinawa, no Japão, um sismo de magnitude sete, outro na Argentina de 6,3 e teve epicentro perto de Salta a mais de 1200 km da capital, Buenos Aires. Ainda no dia anterior ao sismo do Chile, um sismo de mais fraca intensidade assustou os habitantes de Ica no Peru, abalo que registou 4,2 na escala de Richter mas a população correu para as ruas procurando ficar a salvo.
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domingo, 27 de março de 2011
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Crónica de um drama paralelo (9)
A1, auto-estrada do Norte Porto/Lisboa,
André dos Reis observou o número do seu bilhete, o número do seu banco e o imbecil que se encontrava a seu lado. Era um piedoso, facilmente manipulável. Reparou com desprestígio o livro intitulado “Biologia Marinha” no colo do estudante. Simulou mentalmente um diálogo amigável com o “futuro desempregado”, afeiçoá-lo e lançar-lhe uma dúvida premente a respeito da troca de números e de lugares, afinal consta que o seu lugar é o 14, e não o 13 como notoriamente se podia comprovar. Sentiu-se preparado para entrar em cena e assim que perguntou para o lado “O que faz um biólogo marinho para combater a chuva?” a resposta foi um enorme ronco e a mão do estudante que amassava o nariz incomodado com algo.
Santiago,
O abalo foi 50 a 100 vezes mais forte do que aquele que em Janeiro matou cerca de 220 mil pessoas no Haiti. Chegou a ser sentido no estado brasileiro de São Paulo. “Isto vai ser um enorme golpe para o país: houve muitos estragos nas estradas, aeroportos, portos e também casas”, antecipou Sebastian Pinera, que exercerá a presidência sobre o país a 11 de Março.
André dos Reis observou o número do seu bilhete, o número do seu banco e o imbecil que se encontrava a seu lado. Era um piedoso, facilmente manipulável. Reparou com desprestígio o livro intitulado “Biologia Marinha” no colo do estudante. Simulou mentalmente um diálogo amigável com o “futuro desempregado”, afeiçoá-lo e lançar-lhe uma dúvida premente a respeito da troca de números e de lugares, afinal consta que o seu lugar é o 14, e não o 13 como notoriamente se podia comprovar. Sentiu-se preparado para entrar em cena e assim que perguntou para o lado “O que faz um biólogo marinho para combater a chuva?” a resposta foi um enorme ronco e a mão do estudante que amassava o nariz incomodado com algo.
Santiago,
O abalo foi 50 a 100 vezes mais forte do que aquele que em Janeiro matou cerca de 220 mil pessoas no Haiti. Chegou a ser sentido no estado brasileiro de São Paulo. “Isto vai ser um enorme golpe para o país: houve muitos estragos nas estradas, aeroportos, portos e também casas”, antecipou Sebastian Pinera, que exercerá a presidência sobre o país a 11 de Março.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Crónica de um drama paralelo (8)
A1, auto-estrada do Norte Porto/Lisboa,
André dos Reis observava com pavor o processo físico que se formava no alto. Mais uma gota obesa reunia o peso suficiente para que quedasse na sua pasta profissional e se desfizesse em tantas outras partes. As gotas acumulavam-se na pasta de um tecido impermeável, e escorregavam para o colo do executivo. As raparigas deliciavam-se com o drama do aristocrata e ansiavam por uma avalanche de gotas.
Santiago,
“Agora estamos preocupados com as condições das estruturas dos edifícios”, diz Bruno Serrano, adiantando, no entanto, que os edifícios estão bem preparados para sismos: “Os pilares das construções são umas quatro vezes mais grossos do que o que estou habituado a ver em Portugal”: o que o leva a comentar: “É melhor não imaginar o que se passaria em Lisboa ou em qualquer outra cidade portuguesa com um sismo de 8,8”.
André dos Reis observava com pavor o processo físico que se formava no alto. Mais uma gota obesa reunia o peso suficiente para que quedasse na sua pasta profissional e se desfizesse em tantas outras partes. As gotas acumulavam-se na pasta de um tecido impermeável, e escorregavam para o colo do executivo. As raparigas deliciavam-se com o drama do aristocrata e ansiavam por uma avalanche de gotas.
Santiago,
“Agora estamos preocupados com as condições das estruturas dos edifícios”, diz Bruno Serrano, adiantando, no entanto, que os edifícios estão bem preparados para sismos: “Os pilares das construções são umas quatro vezes mais grossos do que o que estou habituado a ver em Portugal”: o que o leva a comentar: “É melhor não imaginar o que se passaria em Lisboa ou em qualquer outra cidade portuguesa com um sismo de 8,8”.
Crónica de um drama paralelo (7)
A1, auto-estrada do Norte Porto/Lisboa,
O autocarro deslizava a grande velocidade e André dos Reis meditava sobre a reunião e concentrava o seu discurso de olhos fechados. As raparigas repartiam os fones do mp3 quando à sua frente assistiram a um surto nervoso do aristocrata que se agitava energicamente e observava algo acima. João, ainda que insipidamente, interessou-se pelo caso do executivo e moveu as cortinas da janela e atravessou-as por dentro da muleta na dianteira do banco à frente do infligido. A manga que sobrava para dar o nó da cortina ficava curta mas André dos Reis apoderara-se da ideia engenhosa do estudante para calar os comentários jocosos que saíam detrás às golfadas com risinhos incontidos. A ideia era suspender a cortina de maneira a que fizesse cama com as gotas que caíam do ar condicionado no colo do respeitável executivo, mas não se adivinhava fácil.
Santiago,
Mas, apesar das réplicas, a situação era descrita como tranquila. O Governo chileno deu instruções para as pessoas evitarem deixar as suas casas enquanto se está ainda na fase de avaliação dos danos. Os transportes públicos não tinham recomeçado a funcionar, mas quem precisasse podia já fazer compras em algumas farmácias ou supermercados, entretanto abertos.
O autocarro deslizava a grande velocidade e André dos Reis meditava sobre a reunião e concentrava o seu discurso de olhos fechados. As raparigas repartiam os fones do mp3 quando à sua frente assistiram a um surto nervoso do aristocrata que se agitava energicamente e observava algo acima. João, ainda que insipidamente, interessou-se pelo caso do executivo e moveu as cortinas da janela e atravessou-as por dentro da muleta na dianteira do banco à frente do infligido. A manga que sobrava para dar o nó da cortina ficava curta mas André dos Reis apoderara-se da ideia engenhosa do estudante para calar os comentários jocosos que saíam detrás às golfadas com risinhos incontidos. A ideia era suspender a cortina de maneira a que fizesse cama com as gotas que caíam do ar condicionado no colo do respeitável executivo, mas não se adivinhava fácil.
Santiago,
Mas, apesar das réplicas, a situação era descrita como tranquila. O Governo chileno deu instruções para as pessoas evitarem deixar as suas casas enquanto se está ainda na fase de avaliação dos danos. Os transportes públicos não tinham recomeçado a funcionar, mas quem precisasse podia já fazer compras em algumas farmácias ou supermercados, entretanto abertos.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Crónica de um drama paralelo (6)
A1, auto-estrada do Norte Porto/Lisboa,
Chovia com mais força, os passageiros entorpecidos com o som da chuva acomodavam-se de modo a descansarem entregues ao sono. André dos Reis preparava-se para repousar de olhos fechados quando sentiu um estalo e uma vibração gelada no colo. Abriu os olhos e observou uma nódoa no meio das calças, afagou o tecido e sentiu humidade na ponta dos dedos. Não fez caso e recostou-se, afinal não se tinha encharcado.
Santiago,
Ao fim de duas horas na rua – “as estradas encheram-se de carros a grande velocidade, como em hora de ponta”, conta – Bruno Serrano voltou para casa. As réplicas impediram grande descanso: “Às sete da manhã chegámos a saltar da cama de novo alarmados por uma réplica muito forte que parecia ser séria”, diz no email, e continua: “Agora mesmo sente-se uma bastante forte” De uns 20 segundos. É como estar num barco…”.
Chovia com mais força, os passageiros entorpecidos com o som da chuva acomodavam-se de modo a descansarem entregues ao sono. André dos Reis preparava-se para repousar de olhos fechados quando sentiu um estalo e uma vibração gelada no colo. Abriu os olhos e observou uma nódoa no meio das calças, afagou o tecido e sentiu humidade na ponta dos dedos. Não fez caso e recostou-se, afinal não se tinha encharcado.
Santiago,
Ao fim de duas horas na rua – “as estradas encheram-se de carros a grande velocidade, como em hora de ponta”, conta – Bruno Serrano voltou para casa. As réplicas impediram grande descanso: “Às sete da manhã chegámos a saltar da cama de novo alarmados por uma réplica muito forte que parecia ser séria”, diz no email, e continua: “Agora mesmo sente-se uma bastante forte” De uns 20 segundos. É como estar num barco…”.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Crónica de um drama paralelo (5)
A1, auto-estrada do Norte Porto/Lisboa,
As duas raparigas conversavam animadamente e riam-se a gargalhadas despregadas, quando o IPhone tocava para André dos Reis atender. Era um dos homens importantes do negócio que o contactava às 7h46. “Estes rapazes da Bolsa são tesos, nem conhecem as horas para dormir num mercado globalizado, conscientes do oportunismo que um mundo constantemente acidentado exige”, pensou. Uma gargalhada estridente ecoou vinda de trás e ensurdeceu a voz de André dos Reis quando atendeu a chamada, e do outro lado o homem de negócios perguntou por alguém. Era necessário adiantar o encontro para as 11h30 se fosse possível, mas não conseguiu perceber mais pormenores agora que as gargalhadas eram ainda mais agudas. Interrompeu a chamada e inclinou-se para trás com um olhar sobranceiro sobre as moças ao mesmo tempo que em tom áspero aturdiu:
- Shiuuuuuuuuuuuuuuuu! – E as raparigas sustiveram o riso admiradas do celerado que lhes estragara a animação.
Agora só se ouvia a voz de André dos Reis e uma outra indistinta e austera replicando-lhe.
Santiago,
“As pessoas têm medo das réplicas – eu também – e tem havido réplicas muito seguidas”, diz Sandra Manuelito, e adianta “Mas, depois de um terramoto de 8,8, uma réplica de 5,5 até nem assusta tanto”. O epicentro do terramoto, a que o U.S. Geological Survey atribuiu a magnitude de 8,8 na escala de Richter, verificou-se 90 Km a nordeste da cidade de Conceição, a segunda maior do país. A 320 km do epicentro em Santiago, o terramoto rebentava com viadutos e nas estradas carros capotavam.
As duas raparigas conversavam animadamente e riam-se a gargalhadas despregadas, quando o IPhone tocava para André dos Reis atender. Era um dos homens importantes do negócio que o contactava às 7h46. “Estes rapazes da Bolsa são tesos, nem conhecem as horas para dormir num mercado globalizado, conscientes do oportunismo que um mundo constantemente acidentado exige”, pensou. Uma gargalhada estridente ecoou vinda de trás e ensurdeceu a voz de André dos Reis quando atendeu a chamada, e do outro lado o homem de negócios perguntou por alguém. Era necessário adiantar o encontro para as 11h30 se fosse possível, mas não conseguiu perceber mais pormenores agora que as gargalhadas eram ainda mais agudas. Interrompeu a chamada e inclinou-se para trás com um olhar sobranceiro sobre as moças ao mesmo tempo que em tom áspero aturdiu:
- Shiuuuuuuuuuuuuuuuu! – E as raparigas sustiveram o riso admiradas do celerado que lhes estragara a animação.
Agora só se ouvia a voz de André dos Reis e uma outra indistinta e austera replicando-lhe.
Santiago,
“As pessoas têm medo das réplicas – eu também – e tem havido réplicas muito seguidas”, diz Sandra Manuelito, e adianta “Mas, depois de um terramoto de 8,8, uma réplica de 5,5 até nem assusta tanto”. O epicentro do terramoto, a que o U.S. Geological Survey atribuiu a magnitude de 8,8 na escala de Richter, verificou-se 90 Km a nordeste da cidade de Conceição, a segunda maior do país. A 320 km do epicentro em Santiago, o terramoto rebentava com viadutos e nas estradas carros capotavam.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Crónica de um drama paralelo (3) e (4)
Porto,
A viagem foi tranquila até ao Porto. Passageiros saíram, e novos preencheram todos os lugares. João, um estudante, viu o seu lugar ocupado. Era o número 13, tinha a certeza pois já tinha verificado 5 vezes, primeiro com o bilhete, depois com o banco em que se encontrava um executivo petulante, que já tinha notado o constrangimento de João, mas nem por isso voltou a revirar as atenções da sua agenda que movia no Palm, de mês para mês, com uma “pen”. João assegurara-se que tinha pedido um lugar à janela e ia dizê-lo àquele executivo, não fosse o IPhone ter começado a tocar e André dos Reis atender com os auscultadores e microfone integrado.
O autocarro arrancou, lá fora principiava um temporal.
Santiago,
“A minha esposa sente sempre os tremores de terra antes de começar a tremer e já estava de pé antes de tudo ter começado”, conta Bruno. De facto, uma hora antes, a Sra. Serrano já se encontrava expectante, a avaliar a “força da natureza”. Quando ouviram o tilintar das loiças e avistaram os quadros cair, depressa perceberam que, esta noite, o abalo ia ser mais forte.
Porto,
Duas simples jovens amigas tinham-se sentado no banco detrás e o aristocrata tinha-as cativado antagonicamente. André dos Reis já tinha deixado a conversa fugaz ao telemóvel com a empregada doméstica que iria tratar das lides da casa ainda nem há uma hora desocupada.
Neste instante, o autocarro saía do Porto, entrava na auto-estrada e o temporal tinha-se instalado. A chuva batia com mais força contra o autocarro em velocidade e o som da chuva agora parecia-se com o som de areia projectada e a deslizar pelo tecto e janelas.
Santiago,
“Dizem que o abalo durou pouco mais de um minuto – a mim pareceu-me uma eternidade”, relata, através do chat do Skype, Luz Gomes, professora na capital do Chile.
Debaixo de uma ombreira de uma porta, Bruno e a esposa sentiram como o edifício dançava como gelatina e viam-se abrir gretas nas paredes e tecto. Sentiram um pânico que os deixou estáticos, espectadores de uma ocasião singular, de uma força da natureza tal que os sentidos encontravam-se todos vigilantes mas nenhum deles reagia do êxtase.
A viagem foi tranquila até ao Porto. Passageiros saíram, e novos preencheram todos os lugares. João, um estudante, viu o seu lugar ocupado. Era o número 13, tinha a certeza pois já tinha verificado 5 vezes, primeiro com o bilhete, depois com o banco em que se encontrava um executivo petulante, que já tinha notado o constrangimento de João, mas nem por isso voltou a revirar as atenções da sua agenda que movia no Palm, de mês para mês, com uma “pen”. João assegurara-se que tinha pedido um lugar à janela e ia dizê-lo àquele executivo, não fosse o IPhone ter começado a tocar e André dos Reis atender com os auscultadores e microfone integrado.
O autocarro arrancou, lá fora principiava um temporal.
Santiago,
“A minha esposa sente sempre os tremores de terra antes de começar a tremer e já estava de pé antes de tudo ter começado”, conta Bruno. De facto, uma hora antes, a Sra. Serrano já se encontrava expectante, a avaliar a “força da natureza”. Quando ouviram o tilintar das loiças e avistaram os quadros cair, depressa perceberam que, esta noite, o abalo ia ser mais forte.
Porto,
Duas simples jovens amigas tinham-se sentado no banco detrás e o aristocrata tinha-as cativado antagonicamente. André dos Reis já tinha deixado a conversa fugaz ao telemóvel com a empregada doméstica que iria tratar das lides da casa ainda nem há uma hora desocupada.
Neste instante, o autocarro saía do Porto, entrava na auto-estrada e o temporal tinha-se instalado. A chuva batia com mais força contra o autocarro em velocidade e o som da chuva agora parecia-se com o som de areia projectada e a deslizar pelo tecto e janelas.
Santiago,
“Dizem que o abalo durou pouco mais de um minuto – a mim pareceu-me uma eternidade”, relata, através do chat do Skype, Luz Gomes, professora na capital do Chile.
Debaixo de uma ombreira de uma porta, Bruno e a esposa sentiram como o edifício dançava como gelatina e viam-se abrir gretas nas paredes e tecto. Sentiram um pânico que os deixou estáticos, espectadores de uma ocasião singular, de uma força da natureza tal que os sentidos encontravam-se todos vigilantes mas nenhum deles reagia do êxtase.
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Crónica de um drama paralelo (2)
Braga,
André dos Reis Zeferino (ou apenas orgulhosamente, André dos Reis, nome de profissão – Zeferino era esquecido) espreitou o número do seu lugar no bilhete rasgado pelo motorista, 14. Gostaria de ter reclamado um lugar junto à janela…
Santiago,
Desceram as escadas à velocidade a que bombava o coração. A Sra. Serrano concentrou o seu olhar para o chão, havia rachas nas paredes como ramos de uma árvore de Outono .
Olharam para trás, tinham deixado a sua casa num 7º andar, mas não havia tempo a recordar.
“Estava toda a gente na rua”, recorda Sandra Manuelito. Bruno e a sua mulher, correram em direcção a uma praça ali perto, relativamente longe de edifícios altos, e alocaram-se junto de uma minoria alarmada que já ali estava.
André dos Reis Zeferino (ou apenas orgulhosamente, André dos Reis, nome de profissão – Zeferino era esquecido) espreitou o número do seu lugar no bilhete rasgado pelo motorista, 14. Gostaria de ter reclamado um lugar junto à janela…
Santiago,
Desceram as escadas à velocidade a que bombava o coração. A Sra. Serrano concentrou o seu olhar para o chão, havia rachas nas paredes como ramos de uma árvore de Outono .
Olharam para trás, tinham deixado a sua casa num 7º andar, mas não havia tempo a recordar.
“Estava toda a gente na rua”, recorda Sandra Manuelito. Bruno e a sua mulher, correram em direcção a uma praça ali perto, relativamente longe de edifícios altos, e alocaram-se junto de uma minoria alarmada que já ali estava.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Crónica de um drama paralelo (1)
27 de Fevereiro de 2010
Sábado, 5h57
Em Braga, um executivo recém-promovido numa empresa de renome, prepara-se para entrar no autocarro com destino a Lisboa, onde tem agendado um almoço de cerimónia seguido de uma reunião importante com homens de negócio importantes.
Para a viagem, levou consigo uma pasta profissional, um portátil, um IPhone, um IPod, um Palm e um telemóvel pessoal – uma verdadeira “casa electrónica” atrás.
Sábado, 3h33
Chile, Santiago, Bruno Serrano, e a mulher, agarraram em “sapatos, casaco e algumas coisas básicas, como água e umas bolachas” e deixaram o edifício pelas escadas.
Sábado, 5h57
Em Braga, um executivo recém-promovido numa empresa de renome, prepara-se para entrar no autocarro com destino a Lisboa, onde tem agendado um almoço de cerimónia seguido de uma reunião importante com homens de negócio importantes.
Para a viagem, levou consigo uma pasta profissional, um portátil, um IPhone, um IPod, um Palm e um telemóvel pessoal – uma verdadeira “casa electrónica” atrás.
Sábado, 3h33
Chile, Santiago, Bruno Serrano, e a mulher, agarraram em “sapatos, casaco e algumas coisas básicas, como água e umas bolachas” e deixaram o edifício pelas escadas.
Crónica de uma catástrofe em paralelo - apresentação
Caros leitores,
Foi meu desejo quando, em vésperas de Março de 2010, iniciei uma ideia de uma crónica a propósito da onda de catástrofes na Madeira (cheias), Haiti (sismo) e Chile (sismo) que ocorreram em menos de um mês (se não me engano), e publicar no blogue.

A crónica segue em paralelo com o sismo ocorrido no Chile e com um executivo em Portugal em viagem.
Irei apresentar dia a dia, por partes a crónica que vos apresento hoje e com o título "Crónica de uma catástrofe em paralelo" que espero que seja do vosso agrado.
Foi meu desejo quando, em vésperas de Março de 2010, iniciei uma ideia de uma crónica a propósito da onda de catástrofes na Madeira (cheias), Haiti (sismo) e Chile (sismo) que ocorreram em menos de um mês (se não me engano), e publicar no blogue.
A crónica segue em paralelo com o sismo ocorrido no Chile e com um executivo em Portugal em viagem.
Irei apresentar dia a dia, por partes a crónica que vos apresento hoje e com o título "Crónica de uma catástrofe em paralelo" que espero que seja do vosso agrado.
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