Olá novamente!
Cá estou eu a escrever, mais uma vez sobre nada.
Como sabem, ou talvez não, tenho bilhete marcado. Dia 21 regresso a Portugal. E devo dizer que isto não me vai deixar saudades.
É uma pena, que o Nuno fique aqui sozinho, mas ele conhece os motivos que me fazem regressar.
Professores nojentos, que aguardam que chegue para me darem uma boa noticia....
Os dias aqui têm sido repetitivos. Rotineiros até. Festas na sexta. Festas semanais com tema alternado. E trabalho. Muito trabalho para cadeiras que estamos a fazer em Portugal.
Para segunda feira trabalho já concluído. Depois um 5ª e outro dia 14....
Viva a vida de Erasmus, com os trabalhos feitos para Portugal!
grande abraço deste tipo, com a inspiração a zeros...
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Crónica de um drama paralelo (9)
A1, auto-estrada do Norte Porto/Lisboa,
André dos Reis observou o número do seu bilhete, o número do seu banco e o imbecil que se encontrava a seu lado. Era um piedoso, facilmente manipulável. Reparou com desprestígio o livro intitulado “Biologia Marinha” no colo do estudante. Simulou mentalmente um diálogo amigável com o “futuro desempregado”, afeiçoá-lo e lançar-lhe uma dúvida premente a respeito da troca de números e de lugares, afinal consta que o seu lugar é o 14, e não o 13 como notoriamente se podia comprovar. Sentiu-se preparado para entrar em cena e assim que perguntou para o lado “O que faz um biólogo marinho para combater a chuva?” a resposta foi um enorme ronco e a mão do estudante que amassava o nariz incomodado com algo.
Santiago,
O abalo foi 50 a 100 vezes mais forte do que aquele que em Janeiro matou cerca de 220 mil pessoas no Haiti. Chegou a ser sentido no estado brasileiro de São Paulo. “Isto vai ser um enorme golpe para o país: houve muitos estragos nas estradas, aeroportos, portos e também casas”, antecipou Sebastian Pinera, que exercerá a presidência sobre o país a 11 de Março.
André dos Reis observou o número do seu bilhete, o número do seu banco e o imbecil que se encontrava a seu lado. Era um piedoso, facilmente manipulável. Reparou com desprestígio o livro intitulado “Biologia Marinha” no colo do estudante. Simulou mentalmente um diálogo amigável com o “futuro desempregado”, afeiçoá-lo e lançar-lhe uma dúvida premente a respeito da troca de números e de lugares, afinal consta que o seu lugar é o 14, e não o 13 como notoriamente se podia comprovar. Sentiu-se preparado para entrar em cena e assim que perguntou para o lado “O que faz um biólogo marinho para combater a chuva?” a resposta foi um enorme ronco e a mão do estudante que amassava o nariz incomodado com algo.
Santiago,
O abalo foi 50 a 100 vezes mais forte do que aquele que em Janeiro matou cerca de 220 mil pessoas no Haiti. Chegou a ser sentido no estado brasileiro de São Paulo. “Isto vai ser um enorme golpe para o país: houve muitos estragos nas estradas, aeroportos, portos e também casas”, antecipou Sebastian Pinera, que exercerá a presidência sobre o país a 11 de Março.
Dia 14
É verdade. Desde dia 9 que não escrevo. Mas para dizer a verdade, nada aconteceu aqui neste intervalo de dias que tenha alguma relevância pessoal ou profissional.
AS rotinas se sempre, sexta feira com saída à noite. Um espanhol, podre de bêbedo acabou nu na pista de dança (já não é a primeira vez que isto acontece), e um professor (a juntar a uma lista extensa de 3), que resolvem dar o dito por não dito, e voltam com a palavra atrás.
Começando por nos dar garantias de equivalências, ou terem dado a palavra que iriam realizar uma maratona para nos pôr a par das aulas práticas, agora já dizem que "não é explicador" ou simplesmente deixam de responder a mails (quando vêm implicitamente com a pergunta" pode a professora dar me a passe da cadeira no moodle?"). O nível desce, mas nada a que eu já não estivesse habituado na grande FCT-UNL...Como se podem formar pessoas (e já não falo apenas de alunos), quando os professores são pessoas sem "palavra"? O que é, na verdade, uma pessoa sem "palavra"? Muito réis, nos longínquos tempos de monarquias e dinastias absolutistas, chegaram a ter apenas a sua "palavra", para governar. E com isso tinham o respeito do seu povo, e admiração de países estrangeiros.
É com essa falta de palavra que me revolto. E é por isso que vou tomar uma decisão, talvez a mais complicada e arriscada que já tomei desde que me encontro na faculdade. Vou regressar.
Ficando aqui arrisco a hipotecar em completo um semestre, deixando por fazer automaticamente duas cadeiras num total de 12 créditos. Sim, meio semestre. Por falta de "palavra".
As pessoas crescem com episódios deste, infelizmente, a mim, impediram me de crescer. Arruinaram com uma programação de dois semestres.
Viva a FCT-UNL! Estou lhes agradecido. um abraço deste vosso amigo, o/
AS rotinas se sempre, sexta feira com saída à noite. Um espanhol, podre de bêbedo acabou nu na pista de dança (já não é a primeira vez que isto acontece), e um professor (a juntar a uma lista extensa de 3), que resolvem dar o dito por não dito, e voltam com a palavra atrás.
Começando por nos dar garantias de equivalências, ou terem dado a palavra que iriam realizar uma maratona para nos pôr a par das aulas práticas, agora já dizem que "não é explicador" ou simplesmente deixam de responder a mails (quando vêm implicitamente com a pergunta" pode a professora dar me a passe da cadeira no moodle?"). O nível desce, mas nada a que eu já não estivesse habituado na grande FCT-UNL...Como se podem formar pessoas (e já não falo apenas de alunos), quando os professores são pessoas sem "palavra"? O que é, na verdade, uma pessoa sem "palavra"? Muito réis, nos longínquos tempos de monarquias e dinastias absolutistas, chegaram a ter apenas a sua "palavra", para governar. E com isso tinham o respeito do seu povo, e admiração de países estrangeiros.
É com essa falta de palavra que me revolto. E é por isso que vou tomar uma decisão, talvez a mais complicada e arriscada que já tomei desde que me encontro na faculdade. Vou regressar.
Ficando aqui arrisco a hipotecar em completo um semestre, deixando por fazer automaticamente duas cadeiras num total de 12 créditos. Sim, meio semestre. Por falta de "palavra".
As pessoas crescem com episódios deste, infelizmente, a mim, impediram me de crescer. Arruinaram com uma programação de dois semestres.
Viva a FCT-UNL! Estou lhes agradecido. um abraço deste vosso amigo, o/
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Crónica de um drama paralelo (8)
A1, auto-estrada do Norte Porto/Lisboa,
André dos Reis observava com pavor o processo físico que se formava no alto. Mais uma gota obesa reunia o peso suficiente para que quedasse na sua pasta profissional e se desfizesse em tantas outras partes. As gotas acumulavam-se na pasta de um tecido impermeável, e escorregavam para o colo do executivo. As raparigas deliciavam-se com o drama do aristocrata e ansiavam por uma avalanche de gotas.
Santiago,
“Agora estamos preocupados com as condições das estruturas dos edifícios”, diz Bruno Serrano, adiantando, no entanto, que os edifícios estão bem preparados para sismos: “Os pilares das construções são umas quatro vezes mais grossos do que o que estou habituado a ver em Portugal”: o que o leva a comentar: “É melhor não imaginar o que se passaria em Lisboa ou em qualquer outra cidade portuguesa com um sismo de 8,8”.
André dos Reis observava com pavor o processo físico que se formava no alto. Mais uma gota obesa reunia o peso suficiente para que quedasse na sua pasta profissional e se desfizesse em tantas outras partes. As gotas acumulavam-se na pasta de um tecido impermeável, e escorregavam para o colo do executivo. As raparigas deliciavam-se com o drama do aristocrata e ansiavam por uma avalanche de gotas.
Santiago,
“Agora estamos preocupados com as condições das estruturas dos edifícios”, diz Bruno Serrano, adiantando, no entanto, que os edifícios estão bem preparados para sismos: “Os pilares das construções são umas quatro vezes mais grossos do que o que estou habituado a ver em Portugal”: o que o leva a comentar: “É melhor não imaginar o que se passaria em Lisboa ou em qualquer outra cidade portuguesa com um sismo de 8,8”.
Crónica de um drama paralelo (7)
A1, auto-estrada do Norte Porto/Lisboa,
O autocarro deslizava a grande velocidade e André dos Reis meditava sobre a reunião e concentrava o seu discurso de olhos fechados. As raparigas repartiam os fones do mp3 quando à sua frente assistiram a um surto nervoso do aristocrata que se agitava energicamente e observava algo acima. João, ainda que insipidamente, interessou-se pelo caso do executivo e moveu as cortinas da janela e atravessou-as por dentro da muleta na dianteira do banco à frente do infligido. A manga que sobrava para dar o nó da cortina ficava curta mas André dos Reis apoderara-se da ideia engenhosa do estudante para calar os comentários jocosos que saíam detrás às golfadas com risinhos incontidos. A ideia era suspender a cortina de maneira a que fizesse cama com as gotas que caíam do ar condicionado no colo do respeitável executivo, mas não se adivinhava fácil.
Santiago,
Mas, apesar das réplicas, a situação era descrita como tranquila. O Governo chileno deu instruções para as pessoas evitarem deixar as suas casas enquanto se está ainda na fase de avaliação dos danos. Os transportes públicos não tinham recomeçado a funcionar, mas quem precisasse podia já fazer compras em algumas farmácias ou supermercados, entretanto abertos.
O autocarro deslizava a grande velocidade e André dos Reis meditava sobre a reunião e concentrava o seu discurso de olhos fechados. As raparigas repartiam os fones do mp3 quando à sua frente assistiram a um surto nervoso do aristocrata que se agitava energicamente e observava algo acima. João, ainda que insipidamente, interessou-se pelo caso do executivo e moveu as cortinas da janela e atravessou-as por dentro da muleta na dianteira do banco à frente do infligido. A manga que sobrava para dar o nó da cortina ficava curta mas André dos Reis apoderara-se da ideia engenhosa do estudante para calar os comentários jocosos que saíam detrás às golfadas com risinhos incontidos. A ideia era suspender a cortina de maneira a que fizesse cama com as gotas que caíam do ar condicionado no colo do respeitável executivo, mas não se adivinhava fácil.
Santiago,
Mas, apesar das réplicas, a situação era descrita como tranquila. O Governo chileno deu instruções para as pessoas evitarem deixar as suas casas enquanto se está ainda na fase de avaliação dos danos. Os transportes públicos não tinham recomeçado a funcionar, mas quem precisasse podia já fazer compras em algumas farmácias ou supermercados, entretanto abertos.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Crónica de um drama paralelo (6)
A1, auto-estrada do Norte Porto/Lisboa,
Chovia com mais força, os passageiros entorpecidos com o som da chuva acomodavam-se de modo a descansarem entregues ao sono. André dos Reis preparava-se para repousar de olhos fechados quando sentiu um estalo e uma vibração gelada no colo. Abriu os olhos e observou uma nódoa no meio das calças, afagou o tecido e sentiu humidade na ponta dos dedos. Não fez caso e recostou-se, afinal não se tinha encharcado.
Santiago,
Ao fim de duas horas na rua – “as estradas encheram-se de carros a grande velocidade, como em hora de ponta”, conta – Bruno Serrano voltou para casa. As réplicas impediram grande descanso: “Às sete da manhã chegámos a saltar da cama de novo alarmados por uma réplica muito forte que parecia ser séria”, diz no email, e continua: “Agora mesmo sente-se uma bastante forte” De uns 20 segundos. É como estar num barco…”.
Chovia com mais força, os passageiros entorpecidos com o som da chuva acomodavam-se de modo a descansarem entregues ao sono. André dos Reis preparava-se para repousar de olhos fechados quando sentiu um estalo e uma vibração gelada no colo. Abriu os olhos e observou uma nódoa no meio das calças, afagou o tecido e sentiu humidade na ponta dos dedos. Não fez caso e recostou-se, afinal não se tinha encharcado.
Santiago,
Ao fim de duas horas na rua – “as estradas encheram-se de carros a grande velocidade, como em hora de ponta”, conta – Bruno Serrano voltou para casa. As réplicas impediram grande descanso: “Às sete da manhã chegámos a saltar da cama de novo alarmados por uma réplica muito forte que parecia ser séria”, diz no email, e continua: “Agora mesmo sente-se uma bastante forte” De uns 20 segundos. É como estar num barco…”.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Assaltante é violado... por cabeleireira!
Verdade! Verídico! Factual!
Aconteceu mesmo, um assaltante entrou no cabeleireiro para levar dinheiro, saiu violado... por quem? Pela proprietária do estabelecimento. Hilariante, não?!
Ora vejamos, o assaltante foi desarmado e dominado pela cabeleireira que apenas segurava um secador de cabelo. Como? Com o fio eléctrico, dominou-o e atou-o e fechou-o numa divisão do estabelecimento. Consta que esta mulher (de ferro) de 28 anos é experiente em artes marciais (cinturão amarelo). Não chamou a polícia, antes forçou o assaltante, que já não era assaltante mas seu refém, a tomar viagra por forma a... abusar sexualmente várias vezes durante DOIS DIAS! Ou o gajo era mesmo bom, ou a gaja era mesmo desesperada (e feia todos os dias)... impressionante!
Assim se inverte a ordem das coisas, quem diria que um assaltante no dia seguinte iria fazer queixa na polícia de violação, a polícia acreditou no caso? Sendo eu polícia, perguntava "onde está a câmara?"...
Aconteceu mesmo, um assaltante entrou no cabeleireiro para levar dinheiro, saiu violado... por quem? Pela proprietária do estabelecimento. Hilariante, não?!
Ora vejamos, o assaltante foi desarmado e dominado pela cabeleireira que apenas segurava um secador de cabelo. Como? Com o fio eléctrico, dominou-o e atou-o e fechou-o numa divisão do estabelecimento. Consta que esta mulher (de ferro) de 28 anos é experiente em artes marciais (cinturão amarelo). Não chamou a polícia, antes forçou o assaltante, que já não era assaltante mas seu refém, a tomar viagra por forma a... abusar sexualmente várias vezes durante DOIS DIAS! Ou o gajo era mesmo bom, ou a gaja era mesmo desesperada (e feia todos os dias)... impressionante!
Assim se inverte a ordem das coisas, quem diria que um assaltante no dia seguinte iria fazer queixa na polícia de violação, a polícia acreditou no caso? Sendo eu polícia, perguntava "onde está a câmara?"...
A velha e eu curtimos Nelly Furtado
Sentado no comboio, ensonado de mais um dia académico-enfadonho, dou por mim a abanar a cabeça com uma senhora de idade, uma idosa, por outras palavras, uma velha. O que temos em comum? Apesar do guarda-chuva, porque chove para todos, nada (mais tarde também mexia no nariz como o meu sobrinho mais novo). O que vou constar aqui no blog é uma mera e talvez desinterssante e oca curiosidade. Mas ocorreu-me escrever sobre isto. O facto é que a velhota, quando dei por mim, estava a abanar “o capacete” comigo... por ter em comum a audição. Pois é, lancei-me a pensar no sucesso desta cantora, do seu princípio, e do sucesso mundial alcançado pelos portugueses. José Mourinho, por exemplo, todos já o conhecem. Um sucesso conquistado por montar equipas que conduzem uma bola até o que se inventou ser uma “baliza” e daí ganhar o jogo (porque isto é um jogo, e por definição um jogo é um pretexto para nos divertirmos, para passar tempo ou então mexemos no nariz aborrecidos como a senhora que seguia ao meu lado). Foi deste ponto de vista abstracto que parti para Nelly Furtado. Com o êxito “I'm like a bird” (que a mim me dá vómitos compulsivos), atingiu um sucesso mundial com a sua inegável e contagiante boa voz. E foi com este single, com esta amostra da voz da cantora que, com ouvidos “pagantes” em cadeia, esta mulher é hoje riquíssima. É verdade, a esta mulher pagam para recolher nos seus ouvidos as vibrações da sua voz, isto numa maneira muito abstracta de ver a coisa. E então pensei em como é incrível que este sentido, a audição, nos inspire de alguma maneira a viver, seja pela vivacidade na voz de Nelly Furtado, seja pela revolta em Kurt Cobain. E imaginei o que eram vidas sem sentidos, sem ver o porno falia, sem paladar o monopólio Coca-cola (sem valor nutritivo) ia à vida, sem cheirar a Tridente falia, sem ouvir a Nelly Furtado bem podia rir-se à parva como é costume que não ficava mais rica. É caso para se dizer, que se houvesse um 6º, 7º, 8º… sentido mais oportunidades de negócio surgiriam.
Ia escrever muito mais sobre este abstracto mas, na verdade, quis só deixar escrito mais um post, sem saber bem o que escrever. Obrigado pelo vosso tempo =)
P.S. a música que eu e a senhora curtimos era de Nelly Furtado - All Good Things (Come To An End)
Ia escrever muito mais sobre este abstracto mas, na verdade, quis só deixar escrito mais um post, sem saber bem o que escrever. Obrigado pelo vosso tempo =)
P.S. a música que eu e a senhora curtimos era de Nelly Furtado - All Good Things (Come To An End)
Crónica de um drama paralelo (5)
A1, auto-estrada do Norte Porto/Lisboa,
As duas raparigas conversavam animadamente e riam-se a gargalhadas despregadas, quando o IPhone tocava para André dos Reis atender. Era um dos homens importantes do negócio que o contactava às 7h46. “Estes rapazes da Bolsa são tesos, nem conhecem as horas para dormir num mercado globalizado, conscientes do oportunismo que um mundo constantemente acidentado exige”, pensou. Uma gargalhada estridente ecoou vinda de trás e ensurdeceu a voz de André dos Reis quando atendeu a chamada, e do outro lado o homem de negócios perguntou por alguém. Era necessário adiantar o encontro para as 11h30 se fosse possível, mas não conseguiu perceber mais pormenores agora que as gargalhadas eram ainda mais agudas. Interrompeu a chamada e inclinou-se para trás com um olhar sobranceiro sobre as moças ao mesmo tempo que em tom áspero aturdiu:
- Shiuuuuuuuuuuuuuuuu! – E as raparigas sustiveram o riso admiradas do celerado que lhes estragara a animação.
Agora só se ouvia a voz de André dos Reis e uma outra indistinta e austera replicando-lhe.
Santiago,
“As pessoas têm medo das réplicas – eu também – e tem havido réplicas muito seguidas”, diz Sandra Manuelito, e adianta “Mas, depois de um terramoto de 8,8, uma réplica de 5,5 até nem assusta tanto”. O epicentro do terramoto, a que o U.S. Geological Survey atribuiu a magnitude de 8,8 na escala de Richter, verificou-se 90 Km a nordeste da cidade de Conceição, a segunda maior do país. A 320 km do epicentro em Santiago, o terramoto rebentava com viadutos e nas estradas carros capotavam.
As duas raparigas conversavam animadamente e riam-se a gargalhadas despregadas, quando o IPhone tocava para André dos Reis atender. Era um dos homens importantes do negócio que o contactava às 7h46. “Estes rapazes da Bolsa são tesos, nem conhecem as horas para dormir num mercado globalizado, conscientes do oportunismo que um mundo constantemente acidentado exige”, pensou. Uma gargalhada estridente ecoou vinda de trás e ensurdeceu a voz de André dos Reis quando atendeu a chamada, e do outro lado o homem de negócios perguntou por alguém. Era necessário adiantar o encontro para as 11h30 se fosse possível, mas não conseguiu perceber mais pormenores agora que as gargalhadas eram ainda mais agudas. Interrompeu a chamada e inclinou-se para trás com um olhar sobranceiro sobre as moças ao mesmo tempo que em tom áspero aturdiu:
- Shiuuuuuuuuuuuuuuuu! – E as raparigas sustiveram o riso admiradas do celerado que lhes estragara a animação.
Agora só se ouvia a voz de André dos Reis e uma outra indistinta e austera replicando-lhe.
Santiago,
“As pessoas têm medo das réplicas – eu também – e tem havido réplicas muito seguidas”, diz Sandra Manuelito, e adianta “Mas, depois de um terramoto de 8,8, uma réplica de 5,5 até nem assusta tanto”. O epicentro do terramoto, a que o U.S. Geological Survey atribuiu a magnitude de 8,8 na escala de Richter, verificou-se 90 Km a nordeste da cidade de Conceição, a segunda maior do país. A 320 km do epicentro em Santiago, o terramoto rebentava com viadutos e nas estradas carros capotavam.
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